Agora que voltei para ficar, vou falar de mais um momento da minha infância que me marcou. Desta vez pela negativa.
Não. Não fui violado. O que se passou foi o seguinte:
Estava eu no 2º ano do infantário, muito descansado a ouvir a educadora a contar histórias sobre o avôzinho, que estava a dormir e os meninos a brincar lá fora...
Enquanto eu e os meus colegas, com os nossos 4 anos, estavamos a ouvir histórias, não conseguiamos prever aquilo que se viria a passar daí a uns segundos.
Só para vos localizar, havia lá no infantário uma senhora que também era educadora e que era muito má para nós. Era uma daquelas mastronças que se vê logo que não suportam criancinhas, mas que foram parar a educadoras vá-se lá saber como e para quê...
Estavamos então a ouvir as histórias da nossa educadora, quando subitamente, a porta que fazia a ligação da nossa sala ao refeitório se abre num estrondo. De lá de dentro sai a senhora mastronça a puxar pela mão um dos putos dela, que vinha meio a tropeçar (assim como a fila de miúdos atrás dele) e a cantar:
– "O CÃO FAZ ÃO!!!ÃO!!!ÃO!!! O CÃO LAAADRA!!! O GATO FAZ MIAU!!!MIAU!!!MIAU!!! O GATO MIIIIA!!!..."
Isto tudo numa fracção de segundo (durante a qual por acaso o miúdo que vinha à frente também foi arremessado pela porta que a mulher tinha aberto, visto que a porta tinha batido na parede e voltado). Aterrador, não? Agora imaginem crianças de 4 anos a assistir a isto. Eu fiquei extramamente assustado e creio que alguns colegas meus choraram.
Perante isto, a nossa educadora não se podia calar. O que é que ela fez? Muito inteligentemente, pegou na história que estava a contar antes de tudo isto e disse:
– "Chiu! O avôzinho está a dormir!" –
Ainda hoje a admiro pela maneira como desenrrascou esta resposta. Contudo, nem isso resultou. A mastronça de facto parou durante um segundo, travando automaticamente, visto que ia a galope, (mas a galope de elefante) o que fez algumas crianças tropeçar e de seguida replicou:
– "AH! MAS NÓS ESTAMOS A CANTAR!!! – E continuou a sua musica puxando as crianças novamente e fazendo estremecer o edifício – A VACA FAZ MUUU!!!MUUU!!!MUUU!!! A VACA MUUUUGE!!!... –
E ainda a ouvimos a gritar mais animais e sons pela janela, enquanto a nossa educadora tentava por tudo que nós estivessemos atentos à história.
Mas era tarde demais. Estão a ver aquelas crianças que olham para um ponto fixo depois de um choque? Desde aqueles escassos segundos que tanto eu, como todos os meus colegas presentes naquela sala, ficámos assim. Nunca mais fomos as mesmas crianças inocentes. Talvez seja por esta e por outras que eu sou maluco...

Um feliz Natal para todos vocês, eu volto quarta ou quinta!!!